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Música na infância: como a prática estimula o desenvolvimento cognitivo e socioemocional de crianças

Atualizado: 16 de abr.

Na longa história da humanidade, a música existe há pelo menos 40 mil anos. Das flautas feitas com ossos às harpas e liras da Mesopotâmia, as evidências demonstram que, desde a pré-história, os seres humanos produzem música como consequência da observação dos sons da natureza.

De lá pra cá, a evolução da humanidade andou de mãos dadas com a evolução musical. Não é à toa que, em 2008, uma modificação na Lei de Diretrizes e Bases da Educação tornou obrigatório o ensino de música como disciplina escolar. Afinal, há um consenso científico sobre os impactos da exposição à música na infância, seja por meio da prática instrumental ou vocal: ela fortalece um conjunto específico de habilidades cognitivas e socioemocionais que são essenciais para o aprendizado.

“A música tem um papel central no processo de desenvolvimento infantil”, afirma Fernanda de Castro, flautista, educadora e idealizadora do Estúdio Rouxinol. “Hoje, ela é considerada uma atividade completa, já que quando fazemos música todas as partes do nosso cérebro trabalham em conjunto. É uma ferramenta poderosa para promover o desenvolvimento integral, facilitando toda a construção neurológica, relacional e sensorial que uma criança precisa para se desenvolver de forma saudável.”


Imagem: Adriana Barudi


Estímulo à criatividade e auto expressão


De acordo com pesquisas recentes sobre neurociência cognitiva, o aprendizado musical na infância reforça habilidades linguísticas, desenvolve e melhora a capacidade de leitura e fortalece a memória, o raciocínio e a atenção. Além disso, a atividade também trabalha competências socioemocionais, como a auto expressão, a imaginação, a sensibilidade e a relação com o outro.

A importância da musicalização na educação básica também é ressaltada pela Base Nacional Comum Curricular, que afirma que, dos primeiros anos da educação infantil até os últimos do fundamental, a música é uma das linguagens usadas pelos alunos para expressão e comunicação.

Na visão de Fernanda, por estar no terreno da arte, do lúdico e da beleza, a música pode ser uma grande aliada do processo de ensino e aprendizagem infantil. “Sabemos que as crianças aprendem melhor com experiências que tenham significado e façam sentido para elas. Assim, o professor pode utilizar a música para se conectar com seus estudantes, criando um ambiente de afetividade que promova a criatividade da criança, no qual ela se sinta livre e acolhida para se expressar, dizer quem ela é e se conectar com o mundo à sua volta.”


Imagem: Adriana Barudi


Música na infância estimula valores coletivos


Desde os tempos ancestrais, mais do que uma criação artística e criativa, a música já possuía um importante papel social, que incluía o fortalecimento da coesão dos grupos de caçadores-coletores e da sinalização de valores compartilhados entre eles. Esse papel segue em vigor até hoje.

“Por meio da música, a criança percebe e se relaciona com o mundo e com as pessoas à sua volta. Elas aprendem muito umas com as outras, observando, imitando. Existe uma troca muito bonita dentro de uma aula de música, onde as crianças têm a oportunidade de exercitar diferentes papéis, liderar, ser liderado, ouvir o outro, esperar, ter o momento de tocar e o momento de apreciar o que o outro está tocando”, reforça Fernanda.


Formação de caráter


Para além de explorar instrumentos, durante uma aula de música os professores podem trabalhar a psicomotricidade das crianças por meio de cantigas de rodas e parlendas, fazendo com que elas percebam que é possível fazer música utilizando o próprio corpo. 

Por fim, a educadora cita uma frase do músico e filósofo japonês Shinichi Suzuki para reforçar a importância do contato com a música na infância: “o coração que sente a música irá sentir as pessoas”. Para ela, muito além de contribuir com desenvolvimento integral, a prática musical ajuda na construção do caráter e da identidade. “Quando ensinamos música, estamos contribuindo para um mundo melhor no futuro, com a formação de pessoas que vão fazer a diferença”, conclui Fernanda.


Autor: Danilo Mekari

* Conteúdo produzido e editado pelo Porvir

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